Quarta-feira, 11 de Setembro de 2013

Depois da gravidez

Tenho recebido algumas questões sobre a "barriguita" que sobra após a gravidez. Vou tentar responder a todas, pois os problemas colocados são na sua essência os mesmos.

 

 

É natural que após a gravidez fique como sequela uma maior protusão do abdómen abaixo do umbigo. Tal resulta de essencialmente de 4  factores:

 

  1. Na mulher existe um maior depósito de gordura na região abdominal, com vista a ter uma  reserva de energia para alimentar o feto em caso de gravidez. Durante a gravidez esta tendência aumenta, acumulando mais gordura para constituir uma "reserva estratégica" ! É a natureza a funcionar na procura da preservação da espécie.  Este factor é uma determinante genética que não se pode alterar. Já os seguintes...
  2. Aumento de peso: grande parte das mulheres recupera parcialmente o peso que tinham antes de engravidar, mas a maioria mantêm-se entre 5 a 10 kg acima. Faz parte da solução a redução de peso!
  3. Com a gravidez a pele " esticou"! Como consequência perde elasticidade e assim tem mais facilidade em ceder à pressão exercida pelas vísceras dentro da cavidade abdominal . Quando existem muitas estrias, este problema é maior e a própria pele encontra-se enrugada .
  4. O aumento de pressão intra-abdominal provocada pela gravidez provoca uma laxidão muscular e por vezes o que chamamos de diastase ( ver post sobre este assunto).

Assim o tratamento assenta em:

  1. Diminuição de peso
  2. Diminuição da massa gorda e tonificação muscular exercício físico
  3. Tratamentos não cirúrgicos: electrolipólise , mesoterapia , laserlipólise , lipólise por injecção , etc... que têm indicação para situações de gordura muito localizada e pouco profunda. Os preços variam consoante as clínicas e os tratamentos necessários. Os resultados são muito variáveis e a sua efectividade é geralmente comparada com a lipoaspiração e não uns em relação aos outros.
  4. Tratamento cirúrgico: são essencialmente dois os métodos: lipoaspiração e a abdominoplastia .
    1.  No primeiro apenas se remove a gordura. Pode ser apenas através da sua aspiração (método clássico) ou combinada com os ultra-sons que emulsionam a gordura que é depois aspirada (VASER ).
    2. Na abdominoplastia para além da gordura remove-se a pele em excesso e permite que se reconstrua a parede muscular para tratar a diastase .
    3. Por vezes combinam-se os dois procedimentos qunado não há necessidade de remover muita pele- lipoaspiração com mini abdominoplastia .

Os tratamentos não cirúrgicos são feitos em ambulatório e são necessárias várias sessões. Os tratamentos cirúrgicos necessitam de ser executados em bloco operatório, geralmente com um internamento de 1 a 3 dias, dependendo das situações.

 

Os preços também variam pelo que mantenho o meu conselho de consultarem um especialista nesta área - Cirurgia Plástica.

 

O Serviço Nacional de Saúde cobre os tratamentos cirúrgicos, que são feitos em Hospitais públicos ou em Clínicas convencionadas com o SNS. Mas como também já expliquei noutro post , as lista de espera são grandes.

 

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publicado por Francisco Falcão de Melo às 08:10
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Dr Francisco Falcão Melo

Licenciado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, fez o Internato Complementar em Cirurgia Plástica e Reconstrutiva nos Hospitais Cívis de Lisboa. Actualmente é Assistente Graduado sendo o responsável pelo Serviço de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva do Hospital Militar Principal. Membro da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Plástica Reconstrutiva e Estética, da Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Mão e da Sociedade Portuguesa de Queimaduras.Exerce a sua actividade privada em Lisboa e em Leiria.

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As respostas às suas dúvidas atendem a diversos critérios. Neste serviço, não serão consideradas válidas questões com falta de enquadramento ou situações de emergência que só possam ter encaminhamento imediato.

E-mail: franciscofmelo@sapo.pt

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