Sábado, 12 de Dezembro de 2009

-Cirurgia Plástica- Uma Escolha Muito Pessoal

 

 

 

A decisão

 

A decisão de se submeter a um procedimento cirúrgico, particularmente se for de ordem estética, é do foro estritamente pessoal ,mas deverá ser um acto consciente e bem suportado pela informação disponibilizada. É esse o objectivo deste post, que serve de complemento ás informações obtidas antes da consulta. 

A consulta seve o propósito de obter  um diagnóstico e o consequente planeamento da terapêutica apropriada. A história dos seus antecedentes médicos e cirúrgicos será obtida e iremos discutir quais as alternativas de tratamento que estão indicadas para o ou os problemas suscitados. Poderão ser necessárias fotografias, que serão tiradas na consulta para melhor discutir as alternativas e os resultados possíveis. Ser-lhe-á pedidos os exames complementares (análises,Rx...) Este é o momento por excelência para esclarecer as suas dúvidas e receios, bem como para colocar questões de ordem práctica. Poderá ser complementada com mais informação escrita, ou consultas subsequentes, mas sempre com o principio de fornecer dados que permitam uma decisão informada e esclarecida.

Todo este processo serve para o doente conhecer o cirurgião e estabelecer uma relação de confiança que continua a ser o garante do bom exercício da Medicina.


Nos parágrafos seguintes procurarei informar sucintamente sobre os procedimentos mais frequentes para que sou solicitado em cirurgia estética. O Campo da Cirurgia Plástica é bastante mais vasto, não ficando limitado ao plano estético, como por exemplo: cirurgia maxilo-facial, a cirurgia e tratamento das queimaduras, a cirurgia da mão,  a cirurgia dos nervos periféricos, a cirurgia reconstrutiva em geral, a cirurgia da cabeça e pescoço, a cirurgia oncológica da pele e da mama,etc. É um campo extremamente vasto e de  sub-especialização, sendo que algumas destas áreas são partilhadas com outras especialidades. Mas por agora ficaremos por alguns procedimentos de cirurgia estética no rosto.


 

 

Redução Mamária (Mamoplastia de Redução)

 


As mulheres por vezes desenvolvem mamas volumosas na puberdade ou após o parto que estão em desproporção com o seu corpo. Como consequência podem ter dores de costas, mais predominantes a nível cervical e ombros, dormência nas mãos, feridas nos sulcos mamários por transpiração e calor, desconforto na prática de exercício físico, dificuldade em encontrar roupa e por vezes dificuldade em estabelecer relações sociais.

A cirurgia permite reduzir o volume mamário repondo a proporcionalidade corporal e consequentemente aliviar os sintomas apresentados. Existem várias técnicas cirúrgicas, procurando obter o melhor resultado com as cicatrizes mais curtas, mantendo a sensibilidade do mamilo e da aréola. 

As técnicas que uso preferencialmente são a de Robins , que condiciona uma cicatriz em T invertido, e a SPAIR da qual resultará um cicatriz em virgula ou J.

A mama que é removida é analisada para despiste da existência de algum processo maligno em evolução.

Este procedimento é comparticipado por alguns subsistemas de saúde, mas os seguros de saúde raramente cobrem esta cirurgia.


 

 

Aumento Mamário (Mamoplastia de Aumento)

 


Mulheres com mama pequena podem querer aumentar o seu volume e tal é possível através da colocação de próteses mamárias. Estas podem ser de vários tipos quanto ao seu conteúdo, forma e volume. Quanto ao conteúdo as mais colocadas são as de gel de silicone e as de soro fisiológico. Quanto á forma existem próteses redondas e próteses anatómicas com forma em gota. A decisão respeitante ao volume depende essencialmente do volume existente, do tipo constitucional, da qualidade da pele e dos desejos da doente. 

As próteses são colocadas sob anestesia geral e poderão ser introduzidas por três vias: pela axila, péri-aréolar ou pelo sulco inframamário, sendo que o objectivo é esconder a cicatriz o melhor possível. Ainda poderão ficar em posição rectroglandular ou parcialmente rectromuscular no seu polo superior.

A minha preferência actual é pelas próteses de gel coesivo de silicone, anatómicas e colocadas por via inframamária. 

É um procedimento que poderá ser efectuado com internamento curto ou mesmo em regime ambulatório, condicionando um pequeno período de inactividade laboral.

Este procedimento não é geralmente comparticipado pelos subsistemas de saúde nem pelos  seguros de saúde.


 

 

Péxia Mamária

 


O envelhecimento, as alterações bruscas de peso e a gravidez condicionam a perda de elasticidade da pele e com a atrofia glândular contribuem para “queda” da mama ou ptose. A péxia (mastopéxia) consiste no reposicionamento do complexo aréo-mamilar e na remodelação da mama, de modo a obter uma mama mais bonita, com projecção e com um aspecto mais jovem.

Por vezes pode ser necessário colocar uma prótese mamária para restaurar a falta de tecido mamário.

É um procedimento efectuado sob anestesia geral, com internamento curto ou mesmo em regime ambulatório, condicionando um pequeno período de inactividade laboral.

Este procedimento não é geralmente comparticipado pelos subsistemas de saúde nem pelos  seguros de saúde.



 

 

Reconstrução Mamária

 


Os resultados da reconstrução mamária melhoraram consideravelmente nos últimos anos. Existem actualmente várias técnicas reconstrutivas da mama para situações de mastectomia total ou parcial (quadrantectomias). Isto permite uma escolha em termos individuais e é da maior importância a avaliação clínica e a discussão dos riscos que cada uma das técnicas comporta.

De um modo geral podemos recorrer aos tecidos próprios (abdómen por ex.), ou a uma técnica usando expansores e próteses mamárias.

São procedimentos que envolvem mais que um tempo operatório, com períodos de internamento que poderão ir até aos 7 a 10 dias, e períodos de inactividade laboral mais prolongados.

Estes procedimentos são comparticipados por alguns subsistemas de saúde como a ADSE, e a maioria dos seguros de saúde cobrem esta cirurgia.


 

 

 

Ginecomastia

 

 


O aumento de volume mamário nos homens (ginecomastia), é um fenómeno fisiológico na puberdade. Contudo este fenómeno pode persistir e assim condicionar constrangimentos de ordem emocional, psicológica e social. O seu tratamento cirúrgico é simples e eficaz na restauração de um perfil mais adequado. 

Estes procedimentos são comparticipados por alguns subsistemas de saúde como a ADSE, e poderá também ser coberto pelos dos seguros de saúde.


 

 

 

 

Lipoaspiração

 

 


É um método pelo qual são removidos excessos de gordura localizada em diversas áreas do corpo. Existem várias técnicas e vários nomes pelo qual é designada (lipoescultura, vibrolipoaspiração, etc) mas o seu principio é o mesmo: remover gordura através de pequenas incisões de modo a proporcionar um melhor contorno corporal..

Pessoalmente dou preferência a lipoaspiração ultrasónica-VASER- em que a gordura é emulsificada através de uma canula de ultrasons, depois removida através de sondas de aspiração. Permite maior selectividade do método, menor agressão cirúrgica, maior retracção da pele e um pós operatório menos dolorosos com resultados mais rápidos e mais consistentes.

Dependendo das áreas a tratar poderá ser feita em regime ambulatório ou com um internamento de 1 dia. Permite também um regresso rápido à actividade, mas claro dependendo das áreas a tratar e dos volumes de gordura removida.

Não é um método para reduzir Volume e não peso, não estando assim indicado para o tratamento da obesidade.

Não é comparticipado pelos subsistemas de saúde nem pelos seguros de saúde.


 

 

Abdominoplastia

 


Este procedimento está indicado para as situações em que existe um aumento considerável do volume abdominal e com uma prega cutânea ou ptose. Nestes casos para além da remoção da gordura é necessário também remover pele. Condiciona geralmente uma cicatriz considerável na porção inferior do abdómen, facilmente escondida por um biquini, bem como uma cicatriz em torno do umbigo. Permite a reparação do plano muscular, redefinindo-se assim o contorno e a cintura. Poderá ser combinada com outros procedimentos, nomeadamente a lipoaspiração em áreas complementares.

É um procedimento que condiciona geralmente um período de internamento de 48 horas, e um retorno gradual á actividade (7 a 15 dias).

Este procedimento não é geralmente comparticipado pelos subsistemas de saúde nem pelos  seguros de saúde.



 

 

Blefaroplastia

 


A cirurgia plástica das pálpebras (blefaroplastia) procura criar um olho mais aberto e maior, consequentemente com mais brilho. Fá-lo removendo a pele e a gordura em excesso, ou reposicionando as estruturas anatómicas responsáveis pelo ar mais envelhecido e pesado. 

A pele em excesso, os papos e o aspecto inchado fazem com que os olhos pareçam mais pequenos e a fenda pálpebral mais arredondada. Por vezes as estruturas que dão firmeza ao bordo da pálpebra inferior (tarso), encontra-se de tal forma enfraquecido que pode provocar uma eversão da pálpebra , criando assim um deficit funcional importante que trará consequências mais ou menos graves.

É importante que informe o médico se tem alguma doença nos olhos, pois poderá ser necessário uma consulta de Oftalmologia antes de planear a cirurgia. 

O objectivo da blefaroplastia é proporcionar uma melhoria franca no aspecto das pálpebras com a maior segurança.

A cirurgia tem limitações: se remover pele em demasia poderá ficar com deficits funcionais importantes, uma vez que as pálpebras não encerraram convenientemente e assim deixam de proteger o olho e de o lubrificar. Se removermos gordura em excesso, os olhos ficam com um ar encovado e envelhecido. Em várias situações há que redistribuir a gordura.

O objectivo desta cirurgia não é a remoção de todas as rugas e pés-de-galinha, mas rejuvenescer as pálpebras sem criar defeitos.

Como as pálpebras não são iguais dos dois lados ,há que procurar simetrizá-las. A Blefaroplastia segue medidas precisas, mas por vezes não é possível obter uma simetria perfeita, quer na forma, quer na colocação das cicatrizes.


 

 

Ritidectomia cervico facial ( face lift)

 


O nome técnico desta cirurgia é ritidectomia, que significa “excisão das rugas”. Na realidade o procedimento não consiste na remoção cirúrgica das rugas, mas no rejuvenescimento da face e do pescoço através do reposicionamento das estruturas anatómicas alteradas.

O objectivo é fazer com que pareça o melhor possível para a sua idade e não 20 anos mais novo ou nova.

As manifestações faciais do envelhecimento são consequências do efeito combinado de vários factores que resultam na perca do volume facial. A atrofia da gordura subcutânea, a reabsorção óssea, a perca da elasticidade da pele e a gravidade levam ao aprofundamento das pregas naturais, ao surgimento de rugas, a um aumento relativo da pele facial levando-os à flacidez e laxidão cutânea.

Alguns destes factores, como a idade e as características genéticas, não poderão ser contrololados; outros como os ligados ao estilo de vida, a exposição solar e o fumo poderão ser controlados mas não completamente revertidos.

A ritidectomia visa corrigir alguns dos defeitos, nomeadamente aumentando a tensão dos tecidos laxos da face, definindo melhor a linha da mandíbula, tornando os sulcos junto ao nariz e boca menos pronunciados, melhorando o ângulo do pescoço e reduzindo o duplo queixo.

Estas mudanças não são definitivas, uma vez que o processo natural de envelhecimento se mantém. A manutenção de resultado está directamente ligado aos factores desencadeantes do processo de envelhecimento, nomeadamente aos factores genéticos e ao estilo de vida. 

O que esta intervenção faz é criar um novo ponto de partida, mais jovem.

Por vezes é combinado com outros procedimentos cirúrgicos, nomeadamente a blefaroplastia ou enxertos de gordura, ou procedimentos não cirúrgicos como o preenchimento com ácido hialurónico ou de toxina botulínica (testa).

 

 

Poderá encontrar alguns casos clínicos documentados com fotografias (link- Casos Clínicos), que ilustram o que acabei de expor. 

Espero que este post seja útil e que cumpra o seu objectivo: permitir uma decisão informada e consciente.

 

 

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publicado por Francisco Falcão de Melo às 10:41
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Dr Francisco Falcão Melo

Licenciado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, fez o Internato Complementar em Cirurgia Plástica e Reconstrutiva nos Hospitais Cívis de Lisboa. Actualmente é Assistente Graduado sendo o responsável pelo Serviço de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva do Hospital Militar Principal. Membro da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Plástica Reconstrutiva e Estética, da Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Mão e da Sociedade Portuguesa de Queimaduras.Exerce a sua actividade privada em Lisboa e em Leiria.

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